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Porque se deve falar em Envelhecimento Positivo?

É comum ouvir-se falar que determinada intervenção psicológica junto do sénior é promotora do seu envelhecimento ativo. No entanto, se as intervenções forem focadas diretamente no sénior e nas pessoas que o rodeiam e, se o intuito destas for de garantir o bem-estar de todos, não promovemos o envelhecimento ativo como acima de tudo o envelhecimento positivo do sénior. O que acrescenta o envelhecimento positivo ao envelhecimento ativo? Faço a questão de outra forma. Imagine que viveu uma vida plena, cheia de felicidade e é adorado por todas as pessoas à sua volta. Imagine que devido a contratempos de saúde encontra-se acamado, mas mesmo assim existem períodos de consciência onde você tem toda a lucidez e sabedoria de uma vida bem vivida. Supostamente não pode ser ativo no seu envelhecimento, porque está agarrado a uma cama, a gastar dinheiro ao Estado ou à sua rede de suporte direta. Não acha que mesmo neste estado pode contribuir positivamente para o crescimento ou florescimento de quem o rodeia? Esta componente psicológica do envelhecimento ativo é cada vez mais pensada, uma vez que vários estudos demonstram que uma vida bem vivida e cheia de significado pode ser mais longa e com menos tendência ao desenvolvimento de problemas de saúde (1). No entanto, a Organização Mundial de Saúde, quando fala nos determinantes de envelhecimento ativo (bom acesso aos serviços sociais e de saúde; determinantes biológicos, físicos, sociais, económicos e, comportamentais) não contempla os determinantes psicológicos e promotores de bem-estar (2), estes são comtemplados quando se fala em envelhecimento positivo. São desta forma considerados determinantes de um envelhecimento positivo: a) boa aceitação de si próprio; b) crescimento pessoal; c) objetivos de vida definidos, e atribuição de significado à vida; d) estabelecimento de relações positivas com os outros; e) boa relação com os serviços prestados na comunidade e, f) autonomia, ou sentimento de controlo sobre a própria vida (3). Tendo em conta os determinantes de envelhecimento positivo, é possível identificar formas de as pessoas contribuírem para a sociedade independentemente da sua idade e condição (física, psicológica e cognitiva). Ou seja, mesmo pessoas acamadas e sem comunicar verbalmente podem ter um impacte positivo para quem as rodeia. Valores como respeito pelo mais velho, não discriminação pela diferença, perseverança e, acima de tudo bondade, generosidade e gratidão, podem ser transmitidos graças ao contacto com o sénior. Estes valores estão carregados de sabedoria que passa de geração em geração, desenvolvendo valores tão vincados na família que se transformam em rituais familiares. A forma como vi a minha avó tratar a minha bisavó e a minha mãe tratar os meus avós irá ter repercussões na forma como irei tratar os meus pais e assim sucessivamente. Também a forma como vi os meus antepassados envelhecer irá definir a forma como quero envelhecer. O segredo para um envelhecimento positivo é começar a pensar nele desde sempre. É sabermos definir- nos enquanto pessoas, com gostos e interesses, sentimentos e emoções. É sabermos o que existe no mundo, o que podemos esperar dele, e qual o nosso papel nele ao longo da nossa evolução. Sabe-se que seniores mais sábios são mais felizes (4). Não sábios no sentido de ter muito conhecimento factual, mas sim no sentido de aplicar tudo o que aprendem de forma refletida ao seu contexto, tendo desta forma plena noção das suas limitações e forças. as forças servirão de bengala para se apoiarem enquanto ultrapassam adversidades e limitações. É esta a sabedoria que ajuda os seniores a definir objetivos de vida. Não precisam de ser grandes objetivos, podem ser pequenos como ver a família crescer, desde que conduzam a um propósito para o sénior continuar vivo e acordar todos os dias com entusiasmo para um novo dia. Não é isso que se quer para os nossos seniores, dar um objetivo para acordar todos os dias? Ajudar o sénior a encontrar um propósito de vida nem sempre é tarefa fácil. Por vezes é necessário criar um distanciamento dele porque independentemente da sua condição cognitiva, psicológica ou física, tal como em qualquer idade, o sénior continua a evoluir e a transformar-se a cada dia. O ir atrás do que o sénior quer vivenciar facilita a sua compreensão e a atuação de acordo com as suas necessidades. Muitas vezes o cuidador familiar não consegue criar este distanciamento, necessitando de ajuda externa para investir nesta compreensão, pois quem vem de fora não está focado no que o sénior foi mas sim no que é no presente. Quando o cuidador familiar é capaz de partir à descoberta do sénior ou de retribuir com agrado tudo o que este lhe deu, aumenta o sentido de propósito do cuidado, o que resulta num estreitamento dos laços afetivos. Consequentemente, este estreitamento de laços afetivos conduz ao bem-estar do cuidador e consequentemente do sénior, diminuindo o impacte negativo do cuidado (5). Em resumo, o conceito de envelhecimento positivo vai além do envelhecimento ativo, porque este último considera os determinantes psicológicos de envelhecimento, os quais são promotores de bem-estar. O bem- estar advém da atribuição de significado à vida do sénior e valorização das suas forças, em detrimento das suas limitações. O valorizar destas forças em articulação com a compreensão do significado de vida do sénior, irá certamente estreitar a relação entre este e o seu cuidador, promovendo assim bem-estar a toda a família. Diana Tavares Psicóloga fundadora da Ativo em Casa® 933605449 diana.tavares@ativoemcasa.pt www.ativoemcasa.pt Referências Bibliográficas (1) Seligman, M. (2012). A vida que floresce. Lisboa: Estrela Polar. (2) WHO. (2002). Active ageing: a policy framework. Madrid: Worl Health Organization. (3) Robertson, G. (2014). How to age positively: a handbook for personal change in later life. Bristol: Positive Ageing Associates. (4) Etezadi, S. & Pushkar, D. (2013). Why are wise people happier? An explanatory model of wisdom and emotional well-being in older adults. Journal of Happiness Stud 14: 929-950. (5) Lage, I. (2005). Cuidados familiares aos idosos. In: Paúl, C. & Fonseca, A. Envelhecer em Portugal. Lisboa: Climepsi Editores.

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Envelhecimento Positivo?

Porque se deve falar em Envelhecimento Positivo? É comum ouvir-se falar que determinada intervenção psicológica junto do sénior é promotora do seu envelhecimento ativo. No entanto, se as intervenções forem focadas diretamente no sénior e nas pessoas que o rodeiam e, se o intuito destas for de garantir o bem-estar de todos, não promovemos o envelhecimento ativo como acima de tudo o envelhecimento positivo do sénior. O que acrescenta o envelhecimento positivo ao envelhecimento ativo? Faço a questão de outra forma. Imagine que viveu uma vida plena, cheia de felicidade e é adorado por todas as pessoas à sua volta. Imagine que devido a contratempos de saúde encontra-se acamado, mas mesmo assim existem períodos de consciência onde você tem toda a lucidez e sabedoria de uma vida bem vivida. Supostamente não pode ser ativo no seu envelhecimento, porque está agarrado a uma cama, a gastar dinheiro ao Estado ou à sua rede de suporte direta. Não acha que mesmo neste estado pode contribuir positivamente para o crescimento ou florescimento de quem o rodeia? Esta componente psicológica do envelhecimento ativo é cada vez mais pensada, uma vez que vários estudos demonstram que uma vida bem vivida e cheia de significado pode ser mais longa e com menos tendência ao desenvolvimento de problemas de saúde (1). No entanto, a Organização Mundial de Saúde, quando fala nos determinantes de envelhecimento ativo (bom acesso aos serviços sociais e de saúde; determinantes biológicos, físicos, sociais, económicos e, comportamentais) não contempla os determinantes psicológicos e promotores de bem- estar (2), estes são comtemplados quando se fala em envelhecimento positivo. São desta forma considerados determinantes de um envelhecimento positivo: a) boa aceitação de si próprio; b) crescimento pessoal; c) objetivos de vida definidos, e atribuição de significado à vida; d) estabelecimento de relações positivas com os outros; e) boa relação com os serviços prestados na comunidade e, f) autonomia, ou sentimento de controlo sobre a própria vida (3). Tendo em conta os determinantes de envelhecimento positivo, é possível identificar formas de as pessoas contribuírem para a sociedade independentemente da sua idade e condição (física, psicológica e cognitiva). Ou seja, mesmo pessoas acamadas e sem comunicar verbalmente podem ter um impacte positivo para quem as rodeia. Valores como respeito pelo mais velho, não discriminação pela diferença, perseverança e, acima de tudo bondade, generosidade e gratidão, podem ser transmitidos graças ao contacto com o sénior. Estes valores estão carregados de sabedoria que passa de geração em geração, desenvolvendo valores tão vincados na família que se transformam em rituais familiares. A forma como vi a minha avó tratar a minha bisavó e a minha mãe tratar os meus avós irá ter repercussões na forma como irei tratar os meus pais e assim sucessivamente. Também a forma como vi os meus antepassados envelhecer irá definir a forma como quero envelhecer. O segredo para um envelhecimento positivo é começar a pensar nele desde sempre. É sabermos definir-nos enquanto pessoas, com gostos e interesses, sentimentos e emoções. É sabermos o que existe no mundo, o que podemos esperar dele, e qual o nosso papel nele ao longo da nossa evolução. Sabe-se que seniores mais sábios são mais felizes (4). Não sábios no sentido de ter muito conhecimento factual, mas sim no sentido de aplicar tudo o que aprendem de forma refletida ao seu contexto, tendo desta forma plena noção das suas limitações e forças. as forças servirão de bengala para se apoiarem enquanto ultrapassam adversidades e limitações. É esta a sabedoria que ajuda os seniores a definir objetivos de vida. Não precisam de ser grandes objetivos, podem ser pequenos como ver a família crescer, desde que conduzam a um propósito para o sénior continuar vivo e acordar todos os dias com entusiasmo para um novo dia. Não é isso que se quer para os nossos seniores, dar um objetivo para acordar todos os dias? Ajudar o sénior a encontrar um propósito de vida nem sempre é tarefa fácil. Por vezes é necessário criar um distanciamento dele porque independentemente da sua condição cognitiva, psicológica ou física, tal como em qualquer idade, o sénior continua a evoluir e a transformar-se a cada dia. O ir atrás do que o sénior quer vivenciar facilita a sua compreensão e a atuação de acordo com as suas necessidades. Muitas vezes o cuidador familiar não consegue criar este distanciamento, necessitando de ajuda externa para investir nesta compreensão, pois quem vem de fora não está focado no que o sénior foi mas sim no que é no presente. Quando o cuidador familiar é capaz de partir à descoberta do sénior ou de retribuir com agrado tudo o que este lhe deu, aumenta o sentido de propósito do cuidado, o que resulta num estreitamento dos laços afetivos. Consequentemente, este estreitamento de laços afetivos conduz ao bem-estar do cuidador e consequentemente do sénior, diminuindo o impacte negativo do cuidado (5). Em resumo, o conceito de envelhecimento positivo vai além do envelhecimento ativo, porque este último considera os determinantes psicológicos de envelhecimento, os quais são promotores de bem-estar. O bem-estar advém da atribuição de significado à vida do sénior e valorização das suas forças, em detrimento das suas limitações. O valorizar destas forças em articulação com a compreensão do significado de vida do sénior, irá certamente estreitar a relação entre este e o seu cuidador, promovendo assim bem-estar a toda a família. Diana Tavares Psicóloga fundadora da Ativo em Casa® 933605449 diana.tavares@ativoemcasa.pt www.ativoemcasa.pt Referências Bibliográficas (1) Seligman, M. (2012). A vida que floresce. Lisboa: Estrela Polar. (2) WHO. (2002). Active ageing: a policy framework. Madrid: Worl Health Organization. (3) Robertson, G. (2014). How to age positively: a handbook for personal change in later life. Bristol: Positive Ageing Associates. (4) Etezadi, S. & Pushkar, D. (2013). Why are wise people happier? An explanatory model of wisdom and emotional well-being in older adults. Journal of Happiness Stud 14: 929-950. (5) Lage, I. (2005). Cuidados familiares aos idosos. In: Paúl, C. & Fonseca, A. Envelhecer em Portugal. Lisboa: Climepsi Editores.

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